ASPECTOS SAGRADO & PROFANO DO CARNAVAL DE RUA 
breves apontamentos, SP 2013

Um bloco escangalhado passa pela Vila Madalena e homenageia o cartunista brasileiro Glauco (1957–2010) e seu filho Raoni Vilas Boas. 
Formado por diversos grupos espiritualistas de São Paulo adeptos de religiões de matrizes afro-ameríndias — Santo Daime, Umbanda e Camdomblé, esses maravilhosos foliões buscam trazer para o “espaço profano” da rua a força ancestral dos Caboclos, da Encantaria Brasileira e do Povo da Rua, durante o carnaval. Esse diálogo entre sagrado e jocoso remonta a tradição dos antigos cordões e blocos carnavalescos e fomenta a alegria e a espontaneidade, elementos auráticos do carnaval de rua.
Assim como os Afoxés na Bahia, as Congadas em Minas, o Maracatu em Pernambuco ou o Bumba-Meu-Boi no Maranhão, o bloco é uma manifestação do Povo de Terreiro nas ruas. Saindo dos espaços sagrados dos terreiros, transitando no limiar sagrado/profano desnudado pelo carnaval, o cortejo traz o axé dos ancestrais (energia ancestral) divinizados em forma de celebração. O bloco apresenta anualmente cortejos temáticos, exaltando o imaginário mítico brasileiro: a coroação dos Reis Congo, o Povo da Rua, os Encantados da Amazônia, o Povo d’Água.​​​​​​​
Dentro desta temática, o bloco propõe que cada integrante saia vestindo um personagem do universo da Encantaria Brasileira: caboclos, exús, povo d’água, entre outros. Assim, estimulam a criatividade na confecção de cada fantasia, que expressam a diversidade sem um padrão específico.
Antes de partir para a folia, uma oferenda conhecida por "ebó" é oferecida ao povo da rua, que, por sua vez, é preparado por um pai de santo.
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